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Deus é o Porto Seguro


Durante a semana que passou, vivi uma experiência que sei que nunca irei esquecer. Aconteceram muitas coisas que foram um desafio para mim, começando logo a partir do ponto em que fui para um sítio onde não conhecia ninguém – logo eu, que consigo ser tão tímida e acanhada. Mas eu fui. Eu sabia que chegara a altura de me por à prova, de crescer, de mudar. E foi a coisa mais certa que eu já fiz em toda a minha (ainda não muito longa) vida.

Nunca fui tão feliz na minha vida. Nunca fui tão genuína. Nunca fui tão livre. Nunca olhei para o mundo desta forma antes. Olho para trás e penso em como sou tão melhor pessoa agora do que era antes desta experiência e, acima de tudo, como sou mais feliz.

Durante uma semana, eu fui posta à prova a muitos níveis e eu adquiri muitas coisas novas. Aprendi o que era o amor, a preserverança, a alegria, o propósito, a prosperidade, a segurança e a espiritualidade. Aprendi a conhecer-me e a encontrar-me a mim mesma. Aprendi a ser autêntica comigo mesma e com os outros. Aprendi a retribuir aos outros tudo o que eles fazem por mim, aprendi a conhecer o próximo e a fazê-lo feliz. Aprendi a ver Deus em todas as coisas, mesmo nas mais pequenas, e até nas pessoas. Aprendi que por mais pequenas e insignificantes que as coisas possam parecer, quando são colocadas todas juntas com o mesmo objetivo dão origem a uma coisa muito grande e com grande valor.



Cheguei àquele sítio sem conhecer ninguém, como já disse. E poderia ter-me sentido sozinha, se não estivéssemos (quase) todos na mesma situação. Estávamos todos no mesmo barco a remar e eu rapidamente percebi isso. Então, toda a convivência, durante uma semana, vinte e quatro horas por dias, deu-me amizades que eu tenho a certeza que vou levar para a vida. O trabalho de equipa a que somos submetidos contribuiu para a mais fácil criação dessas amizades e para a criação de uma enorme união que nem sempre podemos testemunhar na vida. Estou realmente grata por essa amizade e união.

Houve momentos mais complicados. Houve alturas em que nos sentíamos todos muito cansados. Nas manhãs, na altura da alvorada, o que nos apetecia era virar para o outro lado e continuar a dormir. Havia momentos em que não nos apetecia fazer um determinado jogo. No dia da caminhada, se calhar, as dores faziam com que deixássemos de ter vontade de caminhar. As silvas, o longo, estreito e ingreme caminho fizeram-nos pensar em desistir.

Mas sabem o que vos digo? Ainda bem que não desistimos. Porque tudo valeu a pena. As amizades que fizemos; as ligações que todos, independentemente das idades, estabelecemos. E sabem qual foi um dos momentos que mais me encheu, que mais me fez perceber que valeu a pena? Foi quando me permitiram ver Deus em todas as coisas (como já disse em cima). Vendaram-me e levaram-me até ao Miradouro da Bandeira, na Serra da Boa Viagem, depois de já algum tempo de caminhada sempre a subir. E puseram-nos a ouvir uma música chamada Marcas de Vida, pediram-nos que tirássemos as vendas quando nos sentíssemos preparados. Eu não sabia se estava preparada, mas no momento certo eu soube que tinha de tirar a venda. E não me arrependi por um único segundo de o ter feito. À minha frente, tinha provavelmente a mais bonita vista de sempre. Uma extensão infinita de verde, algumas casas junto à praia e depois todo um oceano infindável. Posso confessar-vos que algumas lágrimas escaparam dos meus olhos perante toda aquela beleza. Eu percebi que Deus estava ali.



Este campo foi também um (re)encontro com Deus. Eu que andei durante algum tempo perdida d’Ele voltei a reencontrá-lo ali, naquela beleza. E foi das melhores sensações que já experienciei.

Na noite antes do dia em que viríamos embora, durante a oração da noite, acho que não ouve ninguém que não se tenha emocionado. Só por si, o momento da oração da noite era sempre muito profundo, mas aquela noite foi especial. Era a última que passávamos todos juntos, estávamos todos com as emoções à flor da pele e foi-nos pedido que disséssemos de que forma Deus é o meu porto seguro? Era intenso o momento. Entretanto, algumas palavras de agradecimento e despedida acabaram por surgir e todos (ou quase todos) fomos às lágrimas. E eu percebi que ali eu tinha criado uma nova família.



Se algum dia, tiverem a oportunidade de passar por uma experiência destas, de reencontro convosco e com Deus, não hesitem em ir, porque, mesmo que o mundo fique cá fora e continue a girar, vão ganhar muito mais do que o que vão perder. Se é uma experiência a repetir? Claro que sim, até poder.
E tal como a mensagem a mim me foi passada, gostava de vos pedir que tentassem ver Deus em todas as coisas, nas pessoas. Que se tentassem conhecer e conhecer os outros, que retribuam ao próximo toda a alegria que puderem. E não se esqueçam que Deus é o porto seguro


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