Avançar para o conteúdo principal

ACMA - Quantos sentimentos cabem na palavra escutismo?

Olá! Mais um mês implica mais uma participação no ACMA – A Cultura Mora Aqui. Já sabem que qualquer informação que queiram sobre o projeto basta lerem o primeiro post (publicado em Outubro) e/ou contactarem a impulsionadora deste projeto - a Ju, do Cor Sem Fim. Sem mais demoras, vamos iniciar o texto deste mês cujo tema é sentimentos e cujo desafio é fugir do básico, do comum e tentar ser original e inovar. Vamos ver o que sai daqui?


Muitos de vocês provavelmente desconhecem este facto sobre mim, mas há cerca de ano e meio que sou escuteira do CNE (Corpo Nacional de Escutas). Tenho também a certeza de que a maioria das pessoas pouco sabe sobre escutismo e pouco se interessa também, mas não é disse que vos venho falar hoje – até porque ainda sei tão pouco sobre este movimento tão incrível. Hoje venho aqui falar-vos de todos os sentimentos que despertaram em mim durante este ano e meio.

Há muito tempo que tinha um conhecimento próximo deste grande movimento, visto que a minha irmã é escuteira há vários anos, mas, tal como todas as pessoas que estão do lado de fora, não tinha noção da imensidão que é o escutismo. E, mais que isso, não tinha a noção da imensidão de sentimentos que aprendemos com os outros e com a convivência; sentimentos que despertam em nós sem que tenhamos a consciência de tal.

Sem dúvida que um dos mais importantes valores que o escutismo me deu foi a partilha, de tudo: sentimentos, pensamentos, coisas físicas. E dessa partilha advém um sentimento incrível que é o sentirmos que pertencemos a algo, que somos um grãozinho de areia que faz parte de um areal e que tem a sua função. Além disso, é incrível sentir que temos valor, que podemos fazer algo em prol dos outros e que podemos e devemos tentar deixar o mundo um pouco melhor que aquilo que o encontrámos – o que, pessoalmente, me traz um sentimento de esperança e alento de que o mundo não está perdido e que todos nós podemos contribuir um bocadinho para o tornar num sitio melhor. 

E sabem o que é que também é incrível no escutismo? Aquele momento em que acordam, abrem a porta da tenda ou, simplesmente, saem do vosso saco-cama, e vêem uma paisagem linda em frente a vocês. Esse momento recorda-me do quão bom é viver. Sem dúvida que o escutismo me tem proporcionado momentos incríveis e me tem dado a possibilidade de conhecer sítios lindos que, por vezes, estão mesmo em frente a nós e nem sabemos que eles existem.


Algo muito importante que o escutismo me deu foi amizades. Pessoas com quem partilhamos tendas, brincadeiras, raids, fogos-conselhos. Pessoas com quem podemos fazer figuras tristes, rir, chorar, que nos vão compreender porque estão na mesma caminhada que nós. São essas pessoas que nos fazem perceber, a nós, os que entraram mais tarde, que já passaram por aquilo que nos passamos – o medo do desconhecido, as dores que às vezes sentimos, o cansaço que aparece depois de um longo dia. Contudo, todos esses sentimentos menos positivos permitem-nos crescer enquanto cidadãos do mundo e enquanto escuteiros e fazem-nos sentir que vale a pena. E é nesses momentos que nos sentimos também protegidos, de algum modo, porque naquele sitio todos nos compreendem e somos todos iguais, com os nossos defeitos, medos e fragilidades.

Como já disse, provavelmente, a maioria de vocês não vai conseguir compreender as palavras que aqui proferi, mas espero ter-vos deixado com uma ideia bastante positiva acerca do escutismo. Espero ter-vos deixado curiosos, quem sabe, para conhecer e procurar mais acerca deste movimento mundial. Alguma dúvida, podem perguntar e eu responderei de bom grado. Gostava também que se houver algum/alguma escuteiro/a aí desse lado que se acuse, que eu gostava muito de vos conhecer.

E foi este o textinho deste mês! Espero que tenham gostado. Caso queiram participar neste projeto, podem enviar um e-mail à Ju (corsemfim@gmail.com), a fim de saberem mais informações. Posso já adiantar-vos que não falamos sobre moda, beleza ou maquilhagem neste projeto e que não é de participação obrigatória todos os meses. 




Comentários

  1. Olá Inês! :)

    Muito bons texto. Não tenho uma ligação directa ao escutismo. Mas pelo teu texto dá para perceber o que faz mexer esse movimento.

    www.pumpum.org

    ResponderEliminar
  2. A minha irmã andou nos escuteiros e sempre adorou! Eu nunca fui. Era mais menininha de casa ahah

    Beijinhos
    That Girl

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu também me considerava menina de casa até entrar! Ahaha!

      Muito obrigada pelo teu comentário, beijinhos

      Eliminar
  3. Realmente nunca entendi muito bem o que é ser escuteiro e o valor que isso possa trazer para quem o é. Apesar de não entender e talvez nem me identificar com vocês, respeito e concordo que seja uma experiência incrível para quem está nela.

    Conseguis-te transmitir para este lado o valor que certamente tem para ti e o quanto estás contente por fazeres parte desse grupo. Ainda bem que assim o é linda!

    Beijinhos, Where I Belong

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada pelo teu comentário! É certo que não é um "modo de vida" para toda a gente, mas fico feliz que tenhas podido compreender que é uma ótima experiência ser escuteiro.

      Beijinhos

      Eliminar
  4. Tive uma irmã que foi escuteira (ou escoteira, para ser sincera não me lembro bem ahahah) e foi algo em relação ao qual sempre tive muita curiosidade; nunca entrei porque os que há na minha zona de residência são ligados à igreja e não é bem isso que me desperta o interesse. Contudo, acho que a tua missão de transmitir o valor que o escutismo tem e os sentimentos que desperta ficou mais que cumprida! Gostei muito!

    Um beijinho,
    Bia do Bookaholic.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Creio que os valores que aqui falei possam ser comuns também aos escuteiros, porque a parte espiritual é só uma pequena parte do que é ser escuteiro.

      Muito obrigada!
      Beijinhos

      Eliminar
  5. Nunca pertenci aos escuteiros, mas admiro quem o faz e quem se rege por esses valores :)
    Beijinho*

    ResponderEliminar
  6. Não sei como é mas consegui aptar seus sentimentos.
    Que bom fazer algo que te faz bem.
    E ajudar outra pessoa de qualquer maneira já nos faz pessoas melhores, a gente se sente bem, útil. É ótimo o sentimento.

    xoxo

    http://rascunhosehistorias.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
  7. Olá, Inês!

    Nunca fiz parte de nenhum grupo de escuteiros ou de escoteiros, mas, vendo a felicidade na cara dos meus amigos que lá andavam, sempre me deu bastante vontade de experimentar.

    Acredito que aprendamos coisas bastante valiosas para a nossa vida. :)

    Beijinhos!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não tenhas dúvidas!

      Obrigada pelo teu comentário,
      Beijinhos

      Eliminar
  8. Tenho um filhote com 7 anos, gostava que ele fosse escuteiro, pois foi algo que eu sempre quis, mas não tive essa oportunidade. Este post, só confirma o que já pensava. bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Agora que vejo, tenho imensa pena de não ter entrado de mais nova porque aprendemos imensas coisas práticas e não só que nos serão úteis ao longo da vida toda.

      Muito obrigada pelo comentário,
      Beijinhos

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

1986 | Série da RTP

Já me questionei várias vezes e em diversas ocasiões sobre a época em que nasci, sobre as pessoas da minha geração e aquilo que temos em comum. Sempre que o faço concluo que devia ter nascido noutra época porque sei que penso de forma diferente da grande maioria das pessoas da minha idade. Não ouço a mesma música, não vejo os mesmos filmes nem séries, não desprezo o que é nacional, não abomino a escrita ou a leitura e até gosto de estudar, bem como não finjo ser o que não sou para agradar aos outros (apesar de às vezes achar que é melhor não dizer uma determinada coisa porque o meu ponto de vista não vai ser compreendido). Resumidamente, não estou a dizer que sou uma incompreendida – porque não sou – nem estou a dizer que sou uma alternativa – porque também não o sou – mas sei que sou um bocadinho diferente da generalidade da minha geração. Sempre gostei imenso de ler e de escrever, ouço quase todo o tipo de música e considero-me uma pessoa patriótica – e com isto não quero apena...

Top 3 dos Filmes de Janeiro

Olá, olá, dreamers ! Tudo bem? Fevereiro já começou há quatro dias e, embora com alguns dias de atraso, o post  que vos trago hoje é uma espécie de balanço do mês de janeiro. Um dos meus objetivos para este ano é ver mais filmes e ler mais livros e, uma vez que estive todo o mês de janeiro em casa, decidi dedicar-me bastante a isso durante este mês que passou. Assim, de entre todos os filmes que vi, decidi fazer um top 3 com os meus favoritos para partilhar convosco. Digo desde já que foi uma escolha difícil e, no final do post , irei mencionar mais alguns de que gostei muito.  Quero só fazer uma pequena ressalva para dizer que a disputa entre o primeiro e o segundo lugar foi muito renhida e que não estou 100% certa desta ordem, porque gosto imenso de ambos os filmes. Como são filmes muito diferentes, para mim é difícil estabelecer qual dos dois gostei mais, mas pronto... Lá teve de ser.  1ºlugar: A Star Is Born Este remake  de uma trágica histó...

4 coisas a não esquecer no 1ºdia de aulas

O mês de setembro já chegou e traz com ele o tão famoso regresso às aulas. Chega a altura de começar a comprar material escolar, de preparar tudo para o começo de um novo ano letivo e de começar a criar expetativas para o mesmo. Assim, começa hoje a série do blogue de Regresso às Aulas - 2019 . Vai contar com três posts, nos quais vou tentar abordar temas diferentes daqueles que são habitualmente abordados neste tipo de séries e daqueles que eu própria já fui abordando. (Se quiserem espreitar os posts  dos outros anos, basta acederem à etiqueta "Regresso às Aulas".) E sobre o que é que vos vou falar hoje? Vou relembrar-vos de  quatro coisas essenciais no primeiro dia de aulas , que não podem mesmo esquecer-se. Contudo - e agora aqui vem o grande plot twist deste post  -, as "coisas" de que hoje aqui vou falar não são propriamente "coisas". Vou partilhar convosco uma espécie de quatro "ingredientes" que são fundamentais vocês levarem no p...